Terça-feira, 18 de Abril de 2006

O luto difícil por um ídolo presente

"Ó mãe! Então tu disseste que o Dino morreu e ele está nos Morangos com açúcar e até está alegre?!" Maria entrou há pouco mais de um mês nas estatísticas da televisão. Aos quatro anos, faz parte do grupo de portugueses que mais consome a telenovela juvenil da TVI. E anteontem, quando teve de confrontar a verdade com a ficção, perdeu-se. Não percebeu que quem morreu num cruzamento do Ribatejo foi um jovem que os pais baptizaram de Francisco. Talvez porque a mãe lhe deu a notícia anunciando o destino de Dino?

Para lá do drama, o desaparecimento do jovem actor Francisco Adam levanta a sempiterna questão da relação dos mais novos com a televisão. E a série de testemunhos que ao longo dos dois últimos dias tem alimentado fóruns e blogues na Internet é mais do que esclarecedora nem todos fazem a diferença entre o que se passa de cada um dos lados do ecrã. Imitam-se as formas de falar, vestir e pentear e, agora, chora-se como por um familiar perdido. A destrinça, aqui, cabe aos pais.

"Têm que explicar bem, com a realidade", aconselha Sara Pereira, docente de Educação para os Media no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Aos filhos de seis e nove anos, teve de tentar encontrar respostas para a realidade, de onde vinha Francisco, quando foi o acidente, como. Mas a investigadora - que se debruça agora num trabalho sobre o fenómeno "Morangos com açúcar" - sabe que os seus miúdos não são o exemplo. "O filho de cinco anos de um amigo meu reagiu ao acidente dizendo que não fazia mal, porque o Dino andava sempre pegado com outra personagem da série".

De quem será a culpa ?

A confusão com a realidade é tanto maior quanto menor for a idade. Os quatro anos de Maria puseram-na a matutar sobre o como da morte do actor. Encontrou a resposta no episódio de domingo à noite Dino participava numa garraiada. "Se calhar foi o touro que o matou".

"Essa confusão é preocupante, admite Sara Pereira, cuja investigação lhe permitiu já concluir que a larga maioria dos telespectadores dos Morangos com açúcar não sabe dizer concretamente por que gosta da telenovela. Tal como muitos confundem planos e "envolvem-se com personagens como se fossem da vida real". Poucos são os que conseguem detectar incoerências no ecrã, como um filho de pobre com roupas de marca ou um patrocínio escancarado. Mas esses são talvez a prova de que "o acompanhamento" existe e funciona. Como para o filho mais novo de Sara Pereira, seis anos, incapaz de acreditar que o acidente possa ser culpa do actor. "Acha que ele não pode ter cometido um erro" de condução.

Para os restantes fãs, os que se perdem nos planos, o fim-de-semana da Páscoa foi triste e confuso. Joana Duarte deixou no site do Correio da Manhã um desabafo pungente para uma miúda de 13 anos. "Faleceu o meu ídolo, a minha referência, a minha razão de mil sorrisos às 19 horas dos dias úteis".

"A identificação é forte, até porque era uma figura que aparecia no enredo com uma carga positiva, apelativa", analisa Manuel Pinto, docente de Jornalismo e Educação para os Media na Universidade do Minho. Uma relação afectiva mais forte entre as raparigas, como o provam as manifestações de pesar.

O luto, para este investigador, deveria ser conduzido pelo próprio canal. Com um programa especial, por que não, "uma vez que a série não vai ser interrompida e há episódios com o jovem actor". Um trabalho paralelo que ajudasse os espectadores mais pequenos a "digerir" a verdade, em vez de transformar o drama em "media event".

O certo é que apesar de a faixa dos 4 aos 14 anos ser a que mais vê a série (21,8% da audiência), a morte de Francisco Adam afectará mais os adolescentes (19,4% das audiências, segundo a Marktest), "porque há uma proximidade muito maior na idade", completa Sara Pereira. No final de tudo isto, que o desaparecimento aos 22 anos, numa estrada carregada de pontos negros, "sirva de reflexão". Porque 21% dos mortos em acidentes rodoviários no ano passado tinham entre 20 e 29 anos.


Actores são a prioridade

A preocupação com os jovens que integram o elenco e a sua preparação para os próximos dias "que não vão ser fáceis" , levou que ontem os actores estivessem reunidos com a produção uma equipa de peritos, "para tentar perceber como estão a reagir", conforme adiantou ao JN o porta-voz da TVI, Monteiro Coelho. A prioridade da estação e da NBP vai para os colegas do actor, bem como para os familiares que "não estão preparados para o impacto dos média". Relativamente ao futuro da novela e ao desfecho do personagem "Dino", este só será debatido dentro de dois ou três dias numa reunião entre a TVI, a NBP e a Casa da Criação. Os episódios são gravados com uma antecedência de 15 dias, o que vai permitir decidir a orientação do guião atempadamente.

Noticia::
1 comentário:
De lnljn a 19 de Abril de 2006 às 21:03
çmçl,

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